Agricultura Familiar e Camponesa

Escrito em 24 de novembro de 2021

Pensar a agricultura familiar e camponesa é pensar em origens… A origem de nossos antepassados, a origem de nossa cultura, de nossos valores, de nossas práticas, do modo como nos alimentamos.

No Brasil, a agricultura de base familiar e camponesa formou-se à margem da grande produção agrícola, voltada desde os tempos da Colônia às grandes propriedades monocultoras e que destinam sua produção à exportação, seja de cana, café ou soja.

Essa “margem” da grande produção tem características étnicas e culturais diversas e que influenciam a agricultura até hoje. Os negros dos Quilombos, os povos originários das Aldeias, os trabalhadores migrantes e toda a miscigenação decorrente das trocas que formaram nossa sociedade influenciaram a formação da agricultura camponesa e familiar.

Foto: Raízes do Campo/Fellipe Abreu

Viver à margem também exige capacidade de adaptação e de construção de autonomia no trabalho com a agricultura em convívio com a natureza e o que ela oferece, isso implica em adaptar plantas, ferramentas, formas de organização do trabalho, fatores que diversificam ainda mais as características desta agricultura.

Pensar, por exemplo, a produção de farinha, desde o cultivo dos grãos ou das raízes, selecionando sementes e mudas, com organização de trabalho coletivo para o plantio, a roçada, a forma de colher, de beneficiar e de preparar como a avó já fazia, pode ser diferente de sul ao norte do Brasil, mas este preparo carrega no ato de cultivar e de preparar o alimento, a ancestralidade e a cultura de nosso povo.

Importante pensar que até os anos de 1960, a maior parte da população brasileira vivia no campo e é a partir deste período, por um modelo econômico adotado que entendia a urbanização como algo moderno e o campo, como lugar de atraso, é que houve uma mudança neste perfil populacional, chegando aos números do IBGE que revelam que 84%, vive em áreas urbanas e 16% dos brasileiros vivem em áreas rurais.

Segundo a Lei 11.326, de 24 de julho de 2006, a agricultura familiar é definida como aquela em que o trabalho produtivo e a gestão do estabelecimento agrícola é compartilhada pela família e a atividade produtiva agropecuária é a principal fonte de renda.

Os dados do IBGE (CENSO 2017) revelam que 77% dos estabelecimentos rurais são da agricultura familiar e estes estabelecimentos, ocupam apenas 24% da área total dos estabelecimentos no Brasil e geram, 74% dos empregos no campo. Ou seja, um grande número de produtores, que ocupam uma pequena área e mesmo assim geram trabalho para cerca de 10 milhões de pessoas. A título de comparação, a indústria brasileira, empregou 9,7 milhões de brasileiros em 2019.

Essa produção, que preocupa-se em garantir a alimentação de nosso povo, também é a que menos recebe créditos por parte do governo. Nos últimos 20 anos, de todos os recursos destinados à agricultura, em média 15% foi para a agricultura familiar.

A importância econômica da agricultura familiar e camponesa também está aliada à produção de alimentos. É desta agricultura que provém cerca de 70% dos alimentos que consumimos, principalmente arroz, feijão, café, leite, derivados de milho, mandioca, trigo, além de frutas e hortaliças.

Foto: Raízes do Campo/Fellipe Abreu

Para além dos aspectos econômicos que já destacamos, cabe dizer que a proposta de construção de uma sociedade mais justa e saudável, que preserve o meio ambiente, só é possível pela existência da agricultura familiar e camponesa, que com as práticas agroecológicas, reafirmam as práticas camponesas ancestrais, mas transformam o jeito de fazer agricultura, com respeito à vida.

Assim, fortalecer a agricultura familiar e camponesa é garantir que a atividade milenar, de produção de alimentos próprios de nossa cultura, de nosso hábito alimentar, continuem a ser cultivados, gerando saúde, trabalho e renda para nosso povo.

Escrito por Raízes do Campo

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